Casa do Sítio Tatuapé

Autor Construtor: Mathias Rodrigues da Silva

Data da edificação: estimada entre 1668 e 1698

Endereço: Rua Guabiju, 6549, Tatuapé, São Paulo – SP.

Descrição Técnica:  Sua planta retangular é de 16,50 x 13,55 metros, com três lanços de cômodos e apenas um alprendre reentrante (corredor) voltado para o nascente. Possui um característico telhado de duas águas formado por caibros articulados apoiados diretamente nas vigas de cumiera, intermediárias e frechais. As articulações, em três pontos, anulam os empuxos laterais sobre as paredes, o que faz com que apenas forças normais sejam transmitidas.

As paredes foram construídas pelo uso da técnica de taipa de pilão, com aspecto grosso e maciço. Em seu interior, estruturou-se uma porta central, com alpendre, ladeada por dois cômodos frontais, além do quarto de hóspedes (seis cômodos) e a capela, chamada também de ermida, a qual atualmente não existe mais. Também abre-se para um salão principal, pelo qual tem-se acesso a outros cômodos, ou alcovas,  têm também dois sótãos que se diferenciam de outros exemplares remanescentes do período colonial por apresentar telhado de apenas “duas águas”. O salão principal é uma área de reunião da própria família e também dos escravos.

Um aspecto original e predominante nas portas e janelas da construção é ainda a madeira da árvore canela-preta, formando ombreiras, padieiras, vergas, couçoeiras e barrotes na estrutura, assim como no madeiramento do piso (assoalho e barroteamento).

A Casa do Tatuapé figura como um dos doze exemplares arquitetônicos que serviram de base para uma análise que teoriza o apogeu e a decadência da arquitetura bandeirista.

Histórico:  Estima-se sua construção entre 1668 e 1698, por Mathias Rodrigues da Silva, administrador das terras do Padre Matheus Nunes de Siqueira, que era dono de terras na região. A descrição deste imóvel apareceu pela primeira vez no inventário de Catharina d’Orta, esposa do administrador. A casa funcionou como moradia por 150 anos, abrigando tropeiros que percorriam o país. Serviu posteriormente como uma olaria produzindo exclusivamente telhas, e depois tijolos após a chegada dos italianos. A implantação da mesma foi perto de um curso de água e, só assim, a casa se tornaria olaria, tendo água nas cercanias. 

A Casa do Sítio de Tatuapé foi levantada no centro de uma fazenda que já havia curral de gado e uma pequena igreja (ermida). Alguns historiadores dizem que tal propriedade pertenceu também a João Ramalho, apesar de nunca ter conseguido provar. Ressalta-se também que a construção foi utilizada para a inserção de uma tinturaria.

Seu último proprietário foi Elias Quartim de Albuquerque, que residiu no local de 1877 até 1943, ano em que faleceu sem deixar descendentes ou testamento. Em maio de 1944, mediane Alvará, foi concedida uma autorização para venda do imóvel onde se localiza a casa para Faustina Quartim de Albuquerque Pacini, irmã de Elias. 

Através de escritura redigida em abril de 1945, a casa então foi vendida pelo espólio de Elias Quartim e adquirida pela tecelagem Textillia. Com o loteamento do imóvel, a casa restou erguida em volta de outras bem perto e permaneceu ali até o terreno ser desapropriado pela prefeitura, em 1979. Antes, em 1950, a empesa chegou a propor a doação do terreno para a prefeitura visando o loteamento da área, mas a doação não chegou a ocorrer. O Processo nº 172.842 e 1965, em nome da tecelagem Textillia, ainda revela a existência de outros moradores na casa.

“Há moradores na casa. Aí reside o Sr. Nicola Marcílio, que conta atualmente 68 anos de idade. Ao que informa sua esposa, aí nasceu e sempre viveu, sendo que seus pais já eram empregados da família Quartim, escendentes dos Barões Silva Gameiro. Moram no local outras famílias, em quartos alugados pelo sr. Nicola Marcilio. Esse cidadão, a conselho de terceiros, tem pago e mantém os recibos em seu poder, os impostos e taxas cobradas pela Prefeitura, à Tecelagem Textillia S. A.”

A partir do Decreto Nº 14.817 de 16 de dezembro de 1977, a casa foi declarada de utilidade pública pela Prefeitura Municipal de São Paulo. Entre 1979 e 1980, sob responsabilidade do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH), em conjunto com o Museu Paulista da USP, foram realizadas pesquisas arqueológicas e, posteriormente, o imóvel passou por obras de restauro.

A reforma permitiu a reconstrução de partes instáveis de sua estrutura, sendo utilizado o mesmo processo de taipa de pilão da obra original. Também foram refeitos o madeiramento e o telhado. Outros aspectos como janelas e portas foram restaurados e, graças a uma intervenção arqueológica na casa para evidenciar características da época, o piso em terra batida foi preservado nos quartos.

Foi aberta ao público em 1981, em 1991 passou por obras para conservação, sendo reaberta em 1992.  Suas paredes de taipa possuem até 60 cm de espessura. Possui planta retangular e cobertura em duas águas, sendo seu tamanho 919 m2.

Faz parte do Patrimônio Histórico da cidade de São Paulo desde que foi tombada pelo Iphan.

Motivo do tombamento: A casa do Sítio Tatuapé foi construída entre os anos de 1668 e 1698, pelo administrador Mathias Rodrigues da Silva, em terras que pertenceram ao Padre Matheus Nunes da Siqueira. A descrição deste imóvel apareceu pela primeira vez no inventário de Catharina d’Orta, esposa do administrador.
Após sucessivos donos, a propriedade foi transformada em olaria para a fabricação de telhas, na segunda metade do século XIX. Em 1877, foi adquirida pela família Correa de Albuquerque que a vendeu, em 1945, por espólio de Elias Quartim à tecelagem Textillia, dando início ao loteamento da área. A casa, em planta retangular e cobertura em duas águas, foi construída em taipa de pilão. Possui três lanços, com alpendre fronteiriço, além de um sótão. Como destaque de apurado acabamento, sobressaem-se as portas externas almofadadas com desenhos geométricos.

Bibliografia: 


Dados Oficiais do Bem imóvel


Esferas de tombamento: CONDEPHAAT  – IPHAN

Áreas de envoltórias: Area de envoltoria- Casa Sitio Tatuape

Dados da Sub-Prefeitura :

  • Uso e ocupação do solo 
  • Desenvolvimento urbano
  • Características de aproveitamento , dimensionamento e ocupação dos lotes.
  • Zonas especiais de preservação cultural – ZEPECS

Dados do tombamento pelo CIT :

Livro do Tombo Histórico:  inscrição nº 100, p. 14, 06/05/1975

Número do Processo:  00367/73

Nível de Preservação do Imóvel :

End. do imóvel :  Rua Guabiju, 6549 – bairro: Tatuapé

End.Official pelo IPTU:  Rua Guabiju, 6549 – bairro: Tatuapé

Setor/Quadra/Lote:

Resoluções: Ex-Officio em 11/12/74

Diário Official:

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